DETALHES DA NOTÍCIA - Demissões por telefone, terceirização e desrespeito no Vila Santander

O Santander aproveitou o fim do contrato de locação do Vila (VSP), que vencerá no final de novembro, para continuar praticando suas maldades em série contra os funcionários no Brasil em plena pandemia do novo coronavírus. O banco espanhol - que já mantém a maioria dos trabalhadores antes lotados no prédio da zona norte em home office, o que reduz suas despesas - continua desrespeitando, sem pudor algum, seus funcionários brasileiros, justamente os que mais dão lucro para o grupo no mundo.


Na sanha por cifras ainda maiores com o iminente fechamento do Vila e a terceirização de parte do call center em Novo Hamburgo (RS), o Santander agora passou a demitir funcionários do VSP por telefone, o que demonstra total desumanidade e desrespeito pelos trabalhadores. Os que ficaram estão sendo avisados da transferência para outros prédios (Bráulio Gomes e Álvares Penteado) sem nenhum tipo de informação, causando ainda mais apreensão destes trabalhadores em relação ao futuro.  


É inadmissível o jeito como o Santander trata os trabalhadores que todos estes anos estiveram no VSP e contribuíram tanto para o lucro astronômico do banco espanhol no Brasil. Da noite para o dia, eles foram espalhados pelo banco para outros locais, ou então estão sendo demitidos diariamente com a terceirização do call center, porém sem qualquer respeito ou transparência”, enfatiza o dirigente sindical André Bezerra, bancário do Santander.

Segundo o dirigente, o clima no Vila Santander é de apreensão, medo, indignação e tristeza. As demissões atingem inclusive pessoas que estão em grupos de risco para a Covid-19. “Os bancários demitidos, em sua maioria, recebem uma ligação, bastante fria, dizendo: ‘Você está sendo desligado. Estamos com duas testemunhas e quero dizer que seu contrato encerrou. Você receberá por e-mail seu kit homologação, passe em qualquer agência do banco e peça para o gerente carimbar para você o documento para que possa sacar o FGTS e ter acesso ao seguro-desemprego”, relata Bezerra. “Além de toda a frieza e desumanidade, o Santander sequer passa informações aos bancários. Há uma angústia diária por parte dos trabalhadores lotados no call center, que pensam: ‘será que o próximo serei eu?’”, acrescenta.

Abaixo, alguns relatos recebidos pelo Sindicato de bancários, por mensagem de WhatsApp, mostram como está o clima no Vila Santander Paulista:  

“Pelo jeito vão mandar todos da conta corrente e Select embora em questão de dias ou meses. Precisamos de um apoio de vcs (sic). O cenário é desesperador”

“Pra mim terceirizou o atendimento mesmo e ng (sic) vai falar isso pra nós! Sabe uma canoa furada? É isso! Uma hora todo mundo se afoga!”

“Que triste tudo isso meu deus. (Os motoristas dos ônibus fretados, os trabalhadores do restaurante demitidos) não sabem qual será o futuro deles”

“Triste pq (sic) todos nós tivemos uma história ali. VSP deixará saudades”

Sindicato cobra negociação e fim das demissões
Diante do cenário de incertezas, demissões sequenciais e terceirização irrestrita, o que precariza ainda mais as relações de trabalho, o Sindicato cobrou da direção do banco o fim das demissões. “Temos reivindicado que o banco negocie conosco em mesa, para conversarmos sobre o futuro destes trabalhadores. É preciso garantir os empregos, e o Santander se comprometeu a não demitir na pandemia. É necessário, ainda, transparência, informações por parte do banco aos seus funcionários e entidades representativas. Lembremos que o Santander lucrou no primeiro semestre deste ano R$ 5,989 bilhões, mesmo com a pandemia!”, finaliza André Bezerra.